Feliz Dia dos Pais Presentes

Quando eu me lembro da minha infância, me lembro muito mais da minha mãe, confesso, mas isso tem um motivo totalmente justificável. Ela era professora e eu estudava na escola na qual ela dava aula, então, automaticamente, passávamos quase 100% do tempo juntas, sem falar na paciência infinita e amor à criança que tinha minha mãe, o que me beneficiava com uma criação sempre presente e totalmente estimulante.

Meu pai trabalhava fora e estava sempre ocupado com as coisas do trabalho. Eu o via à noite nos jantares e nos passeios de fim de semana, mas ele sempre estava ali. Com seu jeito meio durão, bastante mau humorado, criado em condições adversas, ainda assim, as recordações que tenho dele são de aquecer o coração, porque comigo era diferente. Na minha relação com ele eu era (e continuo sendo) a menininha do papai.

Ele sempre quis uma filha mulher. Achava que seria mais fácil lidar e teria menos conflitos com a personalidade forte dele. No entanto nasci eu, uma garotinha fofa, mas com personalidade tão forte e tão parecida quanto a dele. A vida não podia ser perfeita, não é mesmo? Claro que na adolescência surgiram conflitos entre eu e meu pai, mas sempre conciliados com o amor e paciência da nossa maior força, minha mãe.

Mas hoje, sendo mãe de dois filhos, olho para trás e as recordações com meu pai são as da presença dele. Nem sempre ele e minha mãe tiveram condições de me dar a vida que gostariam, mas sempre me deram essencialmente amor, educação e presença, o que é realmente importante e impagável.

E do meu pai eu me lembro das cócegas na barriga, de andar sob os pés dele pela casa, dos espaguetes que ele fazia de madrugada e me ofertava com carinho quando eu acordava no meio da noite, dos passeios no aeroporto para ver os aviões pousarem e decolarem, de passar na Feira do Bixiga aos domingos de mão dada, de ir com ele cortar o cabelo e ganhar pão de queijo, dos tênis que ele me comprava e tinham cheirinho de chiclete, de quando eu ligava no seu telefone no trabalho no meio do dia e pedia que ele me trouxesse uma “surpresa” à noite e ele me vinha com chocolates ou com baralhos de animais ou joguinhos de tabuada.

Lembro das viagens para Petrópolis, sua terra natal, ou para o Guarujá no verão, dos sorvetes na praia, da prancha de surfe, dos castelos na areia e até da vez que quase nos afogamos quando uma onda nos pegou de jeito, mesmo com a água abaixo da cintura.

Eu me lembro de como foi difícil apresentar para ele cada namorado que eu tive porque a aprovação do meu pai era essencial pra mim. Eu me lembro como foi dançar a valsa com ele na festa de formatura do colégio e no meu casamento. E me lembro que meu pai estava lá a cada conquista, seja tirar a carta de motorista ou passar na faculdade. E meu pai estava lá nos perrengues também, quando a gente mal tinha o que comer em casa ou quando dividíamos a mesma blusa vermelha de frio no inverno, que vestia ele, eu e minha mãe em horários diferentes do dia, porque não havia dinheiro para comprarmos uma blusa para cada. Ou então quando tive trombose e ele esteve lá ao meu lado desde o primeiro atendimento no hospital.

Eu me lembro dele comigo em cada uma das minhas entrevistas de emprego, me levando até elas e esperando pacientemente na porta para saber o resultado. Lembro do meu pai indo me buscar nas baladas ou no cinema, para garantir minha volta para casa, me esperando às vezes horas na porta.

Lembro de terminar um namoro de anos e voltar para casa aos prantos, ligar para meu pai me ajudar a estacionar o carro e chorar no colo dele no banco do passageiro até as lágrimas secarem. E me lembro de quando contei para o meu pai que eu ia me casar com meu marido, o outro amor da minha vida depois dele, e de como foi linda a nossa caminhada juntos até o altar em um dos dias mais lindos e importantes da minha vida.

Lembro da alegria dele ao contar que eu estava grávida de cada um dos meus filhos e me lembro da expressão de alegria contida do meu pai (é o jeito dele) quando dei à luz aos netos dele. E como foi bonito e único vê-lo segurar meus filhos nos braços pela primeira vez, mesmo sem jeito, mesmo com medo de deixar os recém nascidos caírem.

E ainda hoje eu tenho os carinhos e a presença do meu pai, não só comigo, mas com meus filhos, que também carregarão no coração as lembranças da presença do avô.

Feliz Dia dos Pais Presentes! Porque paternidade é tão importante quanto a maternidade e o melhor que um pai pode oferecer ao filho é a sua presença. Obrigada pela presença constante, Pai!

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